Nova tecnologia para soldados é lançada: descubra as inovações da Twenty-Six Defense que vão transformar o combate! A empresa norte-americana Twenty-Six Defense apresentou na feira AUSA, nos Estados Unidos, o Primex, um equipamento vestível que combina visão noturna, imagens térmicas e realidade aumentada. A proposta é ampliar a percepção dos soldados em campo sem acrescentar peso excessivo ou sobrecarga de informações — uma disputa tecnológica cada vez mais importante para as forças armadas.
Primex combina visão noturna e realidade aumentada
O destaque da apresentação foi o Primex, dispositivo desenvolvido para ser usado na cabeça e oferecer recursos de visão noturna e realidade aumentada. Segundo a Twenty-Six Defense, o sistema utiliza sensores de baixa luminosidade, imagens térmicas e processamento em tempo real para gerar uma representação digital do ambiente com latência muito baixa. A intenção é ajudar o operador a interpretar o que ocorre ao redor mesmo em condições ambientais difíceis.
A empresa afirma ter projetado o equipamento para uso operacional prolongado, com carga reduzida sobre a cabeça e centro de gravidade próximo do neutro. O objetivo é preservar a mobilidade do militar e reduzir o desconforto durante missões extensas. A companhia também diz que o sistema busca manter a consciência situacional sem distrações ou excesso de estímulos — um desafio relevante para tecnologias que colocam informações digitais diretamente no campo de visão do usuário.
Entre as possibilidades descritas pela empresa está a integração de informações provenientes de drones e de outros recursos militares. Em vez de depender apenas do que consegue enxergar à sua frente, o soldado poderia receber dados sobre áreas encobertas por edifícios ou outras estruturas e compartilhar atualizações com integrantes da equipe. Esse tipo de capacidade pode ampliar a coordenação de pequenas unidades, embora sua eficácia dependa de fatores como qualidade dos sensores, comunicação disponível, treinamento e confiabilidade das informações recebidas.
A Twenty-Six Defense afirma que o Primex se diferencia de outros visores leves por se apoiar em tecnologias que já foram desenvolvidas e empregadas em campo. A companhia produz os óculos de visão noturna AN/PSQ-44 Enhanced Night Vision Goggles, que, conforme a empresa, incluem recursos de aquisição rápida de alvos e aprimoramento da clareza visual. A apresentação do Primex, porém, não significa por si só que o novo dispositivo tenha sido adotado ou distribuído em larga escala pelas forças armadas.
Da visão noturna aos sistemas conectados de combate
A trajetória descrita pela empresa mostra como equipamentos individuais vêm sendo concebidos para integrar diferentes fontes de informação. A evolução não se limita a melhorar a capacidade de enxergar no escuro: envolve combinar imagens, dados digitais e comunicações em uma interface utilizável por militares em movimento. A promessa é aproximar o soldado de um quadro operacional mais amplo, com informações que podem vir de sensores e plataformas fora de seu campo visual direto.
Em agosto de 2026, Ernie Basic, diretor sênior de pesquisa e desenvolvimento da Twenty-Six Defense, explicou que a companhia trabalhava em equipamentos para o Soldier Borne Mission Command, iniciativa voltada a dispositivos vestíveis de realidade aumentada para militares. Basic descreveu a combinação de tecnologias de exibição associadas a aeronaves de combate com sistemas de visão noturna. Segundo ele, a integração poderia permitir que soldados recebessem imagens de drones e de outros recursos, observassem áreas escondidas por estruturas e atualizassem a equipe durante uma operação.
O anúncio ocorre após a empresa, anteriormente conhecida como subsidiária norte-americana da israelense Elbit Systems, adotar a marca Twenty-Six Defense. A mudança de identidade corporativa foi divulgada em setembro de 2026, e a participação na AUSA marcou a estreia da companhia com o novo nome. A feira também serviu para apresentar outros produtos, entre eles o sistema móvel de morteiro de 120 milímetros XM1168, uma torre autônoma e reposicionável de vigilância e o SkyStriker Block 4E.
A apresentação conjunta de sensores vestíveis, vigilância autônoma e armamentos evidencia a amplitude do portfólio exposto, mas não comprova que todos esses sistemas estejam em serviço ou tenham sido selecionados para contratos militares. No caso do Primex, a informação divulgada se concentra nas características anunciadas pela fabricante e na relação com tecnologias anteriores da empresa. A adoção por unidades militares, os testes operacionais e os resultados em campo serão determinantes para avaliar o alcance prático da novidade.
Legenda: A Twenty-Six Defense apresentou o sistema vestível Primex na feira AUSA, nos Estados Unidos. | Créditos: Twenty-Six Defense
Superioridade informacional e desafios para as forças armadas
O lançamento do Primex se insere em uma transformação mais ampla da guerra contemporânea: a busca por conectar combatentes, sensores, veículos não tripulados e centros de comando em redes capazes de acelerar a tomada de decisões. Em termos geopolíticos, essa capacidade pode influenciar a competição entre potências porque a vantagem militar depende cada vez mais não apenas do alcance das armas, mas também da velocidade com que dados são coletados, interpretados e compartilhados.
Para os Estados Unidos, sistemas vestíveis como o Primex podem integrar uma estratégia de modernização do equipamento individual e de maior conexão entre unidades no terreno e recursos aéreos ou de vigilância. Se forem eficazes e compatíveis com as redes militares existentes, tecnologias desse tipo podem ajudar equipes a reconhecer ameaças, coordenar movimentos e utilizar informações provenientes de drones. Ainda assim, a apresentação comercial não permite concluir qual será o desempenho do aparelho em combate, nem se ele será incorporado a programas oficiais.
Há também uma dimensão industrial. A Twenty-Six Defense opera nos Estados Unidos e tem origem em uma estrutura empresarial anteriormente ligada à Elbit Systems, companhia israelense. A mudança de marca destaca a presença de empresas com vínculos internacionais no setor de defesa norte-americano, mas os dados divulgados sobre o Primex não detalham acordos de produção, fornecimento ou transferência tecnológica. Por isso, a relevância geopolítica do caso está, neste estágio, sobretudo na disputa por desenvolver equipamentos conectados e na capacidade de transformar protótipos e tecnologias existentes em produtos adotados pelas forças armadas.
O uso de realidade aumentada no campo de batalha também traz riscos operacionais. Informações incorretas, atrasadas ou excessivas podem confundir o usuário, enquanto falhas de comunicação, interferência eletrônica ou perda de energia podem limitar o funcionamento de dispositivos dependentes de sensores e processamento digital. A fabricante destaca a intenção de evitar distrações e sobrecarga cognitiva, mas essa promessa precisa ser avaliada em testes e exercícios que reproduzam as condições de uma operação real.
Outro fator decisivo será a integração com os sistemas já utilizados pelas forças militares. Um visor pode oferecer imagens avançadas, mas seu valor depende de receber dados confiáveis, apresentar informações de maneira clara e funcionar em conjunto com os equipamentos da unidade. Treinamento, manutenção, segurança cibernética e resistência a interferências serão tão importantes quanto o peso ou a qualidade das imagens. Sem esses elementos, o aumento da informação disponível não se traduz necessariamente em vantagem tática.
A estreia da Twenty-Six Defense com o Primex revela, portanto, uma direção importante da inovação militar: aproximar a realidade aumentada, a visão noturna e os dados de plataformas não tripuladas do próprio combatente. O potencial está em ampliar a percepção e a coordenação no terreno; o desafio será demonstrar que a tecnologia pode cumprir essa função com segurança, confiabilidade e utilidade operacional. A eventual adoção do sistema dependerá menos do impacto de sua apresentação na AUSA e mais de sua validação em testes, de sua integração às redes militares e dos resultados obtidos pelos usuários.