Lasers Sul-Coreanos Destróem Drones em Demonstração Arrojada da Indústria Militar — Dois sistemas de energia dirigida da Hanwha derrubaram três drones durante um exercício do Exército sul-coreano, em uma demonstração que reforça a aposta de Seul em defesas de baixo custo contra ameaças aéreas não tripuladas. O teste também funciona como vitrine para uma tecnologia que a empresa pretende oferecer a compradores estrangeiros, embora dados essenciais sobre alcance, plataformas e condições de emprego ainda não tenham sido divulgados.

Teste reforça a defesa contra drones

Os equipamentos da Hanwha Systems atingiram os três alvos aéreos apresentados durante uma atividade com fogo real realizada em 14 de outubro de 2026. A demonstração integrou o exercício TIGER+ de combate do futuro, organizado pelo Exército da Coreia do Sul, e contou com a participação de aproximadamente 500 pessoas, entre elas o chefe do Estado-Maior do Exército, general Kim Kyu-ha, segundo a empresa.

Participaram do teste o Cheongwang, sistema fixo de defesa antiaérea a laser, e uma arma móvel de classe de 30 quilowatts instalada em veículo. A Hanwha informou que os dois sistemas abateram todos os drones, mas não especificou qual deles atingiu cada alvo. Também não revelou os modelos dos drones, a distância dos disparos, o veículo usado para transportar o sistema móvel ou o desempenho dos equipamentos sob diferentes condições operacionais.

Relatos da imprensa sul-coreana sobre o exercício indicaram que um drone atingido pelo Cheongwang pegou fogo e caiu. A demonstração, porém, foi mais ampla que o emprego de armas a laser: incluiu interferência eletrônica e um veículo blindado K21 disparando contra drones que se aproximavam. A composição revela a lógica de uma defesa em camadas, na qual diferentes recursos podem atuar de acordo com o tipo de ameaça e a situação tática.

O teste não comprova, por si só, que os lasers estejam prontos para neutralizar qualquer classe de drone em condições reais de combate. Sem informações sobre alcance, tempo necessário para manter o feixe sobre o alvo, efeitos do clima e capacidade de enfrentar ataques simultâneos, é difícil avaliar o desempenho além do cenário demonstrado. O resultado divulgado é relevante, mas deve ser interpretado à luz dessas lacunas.

Da vulnerabilidade aérea à arma operacional

A trajetória do Cheongwang está ligada ao esforço sul-coreano para responder à presença de drones norte-coreanos. Em dezembro de 2022, cinco aeronaves não tripuladas cruzaram a fronteira entre as Coreias, e uma delas chegou à região de Seul. Caças, helicópteros de ataque e disparos de advertência não conseguiram derrubar os aparelhos, episódio que expôs dificuldades de detecção e interceptação de alvos pequenos e de baixa velocidade.

A vulnerabilidade é especialmente sensível para a Coreia do Sul, cuja capital e principais centros políticos, econômicos e militares ficam próximos à fronteira. A possibilidade de drones serem usados para vigilância ou ataque impõe desafios diferentes daqueles enfrentados por sistemas concebidos para interceptar aeronaves convencionais e mísseis. O episódio de 2022 reforçou a necessidade de ampliar as opções de resposta, sem depender exclusivamente de caças ou munições caras.

O Cheongwang, nome que pode ser traduzido como “luz do céu”, é formalmente conhecido como Laser Air Defense Weapon Block-I. Seu desenvolvimento foi conduzido pela Hanwha sob um programa liderado pela Agência para o Desenvolvimento da Defesa da Coreia do Sul. O país começou a colocar o sistema em serviço em dezembro de 2024; em junho de 2026, cerca de cinco unidades estavam instaladas em importantes instalações governamentais, segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana.

A demonstração de outubro deu continuidade a outro teste realizado em 16 de setembro, durante a Exposição de Tecnologia de Drones de Defesa da Coreia do Sul de 2026. Na ocasião, de acordo com a Hanwha, o Cheongwang derrubou quatro drones e duas aeronaves não tripuladas de maior porte em sequência. A empresa descreve o equipamento como a primeira arma a laser operacionalmente implantada no mundo — uma afirmação corporativa que não deve ser confundida com uma avaliação independente de desempenho ou superioridade.

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Legenda: O sistema a laser Cheongwang participa de uma demonstração de interceptação de drones na Coreia do Sul. | Créditos: Hanwha

Energia dirigida amplia as opções de Seul

O principal apelo militar dos lasers está na possibilidade de reduzir o custo de cada engajamento. A Hanwha estima em cerca de US$ 1,50 o custo de cada disparo do Cheongwang, valor que coincide com uma cifra divulgada em 2024 pela agência sul-coreana responsável por aquisições de defesa. Ao contrário de armas que dependem de munição convencional, o sistema pode continuar disparando enquanto houver energia disponível.

Essa característica pode ser importante diante de drones baratos, usados para reconhecimento ou ataque, que podem obrigar o defensor a gastar mísseis muito mais caros. Ainda assim, o baixo custo por disparo não elimina limitações operacionais: o sistema precisa de energia, sensores e condições que permitam direcionar o feixe sobre o alvo. A eficiência também depende do perfil da ameaça e da capacidade de operar em diferentes ambientes. Por isso, lasers tendem a complementar — e não substituir automaticamente — canhões, mísseis, radares e sistemas de guerra eletrônica.

Para Seul, a evolução dessas capacidades tem uma dimensão estratégica imediata: fortalecer a proteção de instalações e reduzir o risco representado por incursões de drones vindos do Norte. A combinação de sensores, interferência eletrônica, armas convencionais e energia dirigida pode oferecer mais alternativas às forças sul-coreanas. O exercício, no entanto, não permite concluir que os sistemas tenham sido testados contra drones norte-coreanos ou em uma situação de combate real.

Há também uma dimensão industrial. A Hanwha está desenvolvendo por conta própria um veículo blindado equipado com laser de 50 quilowatts, voltado a clientes de exportação. A empresa apresentou um modelo do projeto em setembro, na feira de defesa MSPO, em Kielce, na Polônia. Na ocasião, seu gerente Hyungun Park afirmou que havia um protótipo e que a produção poderia começar até o fim de 2027. Segundo ele, a companhia conversa com possíveis compradores na Europa, na Ásia e no Oriente Médio sobre a exportação do Cheongwang.

O interesse internacional acompanha uma tendência mais ampla: forças armadas buscam maneiras menos dispendiosas de enfrentar a proliferação de sistemas não tripulados. Para a indústria sul-coreana, demonstrar equipamentos em exercício militar pode ajudar a apresentar a tecnologia a potenciais clientes e consolidar o país como fornecedor de soluções de defesa. Mas a conversão de uma demonstração bem-sucedida em contratos dependerá de fatores como confiabilidade, integração com redes de defesa aérea, manutenção e desempenho em condições diversas.

O orçamento de defesa sul-coreano proposto para 2027 inclui recursos para iniciar pesquisas sobre uma versão móvel Block-II do Cheongwang, segundo informações divulgadas pela UPI. O plano aponta para a intenção de ampliar a mobilidade do sistema, embora financiamento para pesquisa não signifique que uma nova versão já esteja pronta para produção ou implantação.

O teste de outubro representa, assim, um marco de visibilidade para a tecnologia a laser sul-coreana, mas não encerra as dúvidas sobre sua capacidade operacional. A resposta de longo prazo dependerá de como Seul combinará sistemas de energia dirigida com os demais meios de defesa, e de se a Hanwha conseguirá comprovar a eficácia do equipamento para além de demonstrações controladas. Em uma península marcada por tensão militar persistente, a defesa contra drones tornou-se uma prioridade; a disputa agora envolve não apenas interceptar ameaças, mas fazê-lo de forma sustentável e com recursos adequados a cada cenário.