Exército dos EUA revela novo canhão móvel que substituirá o M777: uma revolução na artilharia! O Exército dos Estados Unidos recebeu seu primeiro canhão tático móvel de 155 milímetros, um sistema de fabricação sul-coreana que poderá renovar a artilharia de campanha americana. A plataforma, baseada no obuseiro autopropulsado K9, ainda será submetida a testes e avaliações com militares; por isso, sua entrada em serviço não é imediata. A iniciativa combina modernização militar, busca por maior mobilidade e aprofundamento da cooperação industrial entre Washington e Seul.
Primeira unidade inicia a fase de testes
A entrega do primeiro Mobile Tactical Cannon marca a passagem do programa da fase de contratação para a de experimentação. O sistema foi apresentado em um evento de modernização do Exército realizado no Capitólio, em Washington, e deverá ser avaliado em exercícios destinados a verificar seu desempenho em condições realistas de combate. O objetivo, segundo autoridades militares, é reunir também a experiência dos soldados antes de definir os próximos passos do projeto.
O contrato de prototipagem com a Hanwha Defense USA foi anunciado em agosto e pode chegar a quase US$ 263 milhões ao longo de quatro anos. O acordo prevê a aquisição de até 18 unidades para testes e experimentação, com entrega acelerada de seis protótipos iniciais. A contratação não representa, por si só, uma decisão de compra em larga escala: ela permitirá ao Exército avaliar a confiabilidade, a operação e a integração do sistema antes de uma eventual adoção mais ampla.
O novo canhão é uma peça de artilharia autopropulsada sobre rodas, equipada com um obuseiro de 155 milímetros. A configuração busca combinar poder de fogo com capacidade de deslocamento, uma característica relevante para unidades que precisam reposicionar suas armas com rapidez. O Exército planeja concentrar inicialmente a futura incorporação em equipes de combate de brigadas Stryker, antes de considerar formações móveis e de infantaria.
O programa também se conecta a uma iniciativa mais ampla para aprimorar a artilharia de longo alcance. Documentos orçamentários do ano fiscal de 2027 indicam que o Mobile Tactical Cannon poderá servir de plataforma para testes de tecnologias relacionadas à propulsão, às cargas modulares, aos sistemas de ignição e aos propelentes. A meta declarada é contribuir para capacidades capazes de atingir alvos de artilharia a até 70 quilômetros, embora essa distância seja um objetivo de desenvolvimento e não uma capacidade já demonstrada pelo sistema recebido.
Da peça rebocada à artilharia autopropulsada
O programa responde à necessidade de renovar uma parte da artilharia americana que depende do M777, obuseiro rebocado de 155 milímetros em serviço desde 2005. Em comparação com uma plataforma autopropulsada, uma peça rebocada exige um veículo para transportá-la e demanda mais etapas para mudar de posição após o disparo. A mobilidade não elimina os desafios de logística e proteção no campo de batalha, mas pode ampliar as opções de emprego das unidades e facilitar deslocamentos entre posições.
Os números de alcance ajudam a explicar o interesse em novas soluções. O M777 tem alcance efetivo inferior a 24 quilômetros com munição convencional; com o projétil de alcance estendido Excalibur, pode chegar a aproximadamente 40 quilômetros. O K9, sistema sul-coreano que serve de base ao projeto americano, utiliza um cano de 52 calibres e tem alcance superior a 60 quilômetros, de acordo com as informações divulgadas. Esses dados descrevem sistemas e configurações distintas: o desempenho final do Mobile Tactical Cannon dependerá dos testes, da munição empregada e das adaptações feitas para os requisitos dos Estados Unidos.
O K9 está em operação nas Forças Armadas sul-coreanas desde 1999 e suas variantes são utilizadas por países de diferentes regiões. A escolha de uma plataforma já produzida e empregada por outras forças reflete a decisão do Exército americano de partir de uma tecnologia madura, em vez de desenvolver um projeto inteiramente novo. Essa opção pode reduzir o tempo necessário para chegar a protótipos, embora não dispense avaliações rigorosas nem a integração de componentes e processos às exigências americanas.
A estratégia inclui uma dimensão industrial. A empresa informou que está estabelecendo em Opelika, no Alabama, uma instalação de integração e testes para desenvolver e produzir os canhões. O Exército afirmou que a seleção foi aberta a empresas internacionais, com a condição de que a produção fosse transferida para os Estados Unidos em até dois anos. A exigência procura combinar acesso a sistemas disponíveis no mercado global com a expansão da capacidade produtiva doméstica.
Legenda: Militares dos EUA recarregam um obuseiro M777 durante exercício de qualificação na Coreia do Sul. | Créditos: 1º Ten. Jonathan Sauls/Exército dos EUA
Aliança industrial e alcance estratégico
A escolha de uma plataforma sul-coreana evidencia como a modernização militar americana depende, cada vez mais, de parcerias industriais com aliados. A cooperação entre a Hanwha e o Exército dos EUA pode aproximar cadeias de produção e ampliar a familiaridade americana com equipamentos desenvolvidos por um parceiro estratégico no Indo-Pacífico. A transferência de atividades para o Alabama, por sua vez, busca preservar empregos, capacidade de manutenção e controle sobre etapas relevantes da produção em território americano.
O movimento tem implicações que vão além da substituição de uma peça de artilharia. A guerra na Ucrânia e outros conflitos recentes reforçaram a importância de combinar alcance, mobilidade, estoques de munição e capacidade de reposicionar unidades sob ameaça. Nesse cenário, sistemas autopropulsados podem oferecer maior flexibilidade operacional do que armamentos rebocados, mas sua eficácia depende de fatores que incluem reconhecimento, comunicações, logística, proteção contra drones e capacidade de sobreviver à contra-bateria. O canhão, isoladamente, não resolve essas vulnerabilidades.
Também há uma dimensão de competição industrial. Ao recorrer a uma tecnologia já produzida em escala internacional, os Estados Unidos tentam acelerar a modernização sem aguardar o desenvolvimento completo de um sistema novo. Ao mesmo tempo, a condição de nacionalizar a produção indica que rapidez e disponibilidade precisam ser equilibradas com segurança de fornecimento e capacidade industrial doméstica. O modelo de contratação por protótipos, com testes e opções de compra, reduz o compromisso inicial, mas transfere para a fase de avaliação a tarefa de demonstrar que a solução atende às necessidades operacionais.
O Exército também publicou uma solicitação separada para uma versão sobre lagartas do Mobile Tactical Cannon, além da variante sobre rodas em desenvolvimento. A Hanwha manifestou interesse em disputar esse requisito. As duas configurações poderiam atender a necessidades diferentes de mobilidade e compatibilidade com as formações, mas a existência da solicitação não significa que a versão rastreada já tenha sido selecionada ou contratada.
Autoridades militares afirmaram que pretendem colocar uma versão pronta do Mobile Tactical Cannon em campo até 2031. Até lá, os testes deverão esclarecer se a plataforma consegue cumprir os requisitos de desempenho, integração e confiabilidade. A entrega do primeiro exemplar é, portanto, um marco importante, mas ainda inicial: a possível substituição do M777 dependerá dos resultados da experimentação e de futuras decisões de orçamento e aquisição.