O Exército dos Estados Unidos anunciou a criação, em meses, de um segundo batalhão cibernético expedicionário idêntico ao 11th Cyber Warfare Battalion — os "Leviathans" — marcando um passo concreto na expansão da capacidade de projeção de efeitos cibernéticos e eletromagnéticos a favor de operações conjuntas e de combate no nível tático.

Exército dos EUA amplia capacidade expedicionária de ciberoperações: anúncio, missão e cronograma

O comando do Army Cyber Command informou que a nova unidade terá missão, estrutura e escopo operacional replicados do 11th Cyber Warfare Battalion, com início de constituição "em poucos meses" e objetivo de alcançar capacidade operacional inicial no prazo de um ano. A ênfase é em equipes expedicionárias capazes de produzir efeitos não-letais e não-kinéticos — integrando ciberoperações e guerra eletromagnética (CEMA) — para apoio direto a comandos de divisão e a task forces conjuntas. Atualmente o 11º presta apoio ao Joint Task Force–Southern Border com efeitos cibernéticos habilitados por radiofrequência, demonstrando o emprego táctico dessas capacidades em missões variadas. A decisão responde tanto à necessidade de escalonar capacidades expedicionárias no teatro quanto à intenção declarada do Exército de entregar múltiplas equipes móveis (meta de 12 equipes sob o 11º até 2027), fortalecendo a prontidão para conflitos em ambientes contestados do ponto de vista do espectro eletromagnético.

Do 915º aos Leviathans: evolução histórica das unidades cibernéticas do Exército

A trajetória desta nova expansão tem raízes recentes mas aceleradas: a versão anterior do 11th foi o 915th Cyber Warfare Battalion, ativado em 2018, e reconfigurado em 2022 quando o 11th foi formalmente ativado como a primeira capacidade escalável expedicionária do Exército para CEMA. Desde então, o Exército vem integrando desenvolvimento tecnológico e doutrinas táticas, trabalhando com unidades de inteligência militar — como a colaboração com o 780th Military Intelligence Brigade em projetos de tecnologia de drones e soluções contra ameaças eletromagnéticas — e alinhando estas unidades à iniciativa "Transforming in Contact", que visa acelerar a entrega de sistemas não tripulados e capacidades emergentes ao soldado. Esse percurso demonstra uma transição de capacidades essencialmente defensivas e de suporte para forças que projetam efeitos ofensivos e de batalha eletrônica de forma móvel e integrada ao combate conjunto.

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Legenda: Desenvolvedores do 780º Military Intelligence Brigade colaboram com o 11º Cyber Warfare Battalion em projeto de drones em Fort Gordon | Créditos: Steven Stover/U.S. Army

Implicações geopolíticas: dissuasão, risco de escalada e integração aliada de capacidades cibernéticas

A criação de um segundo batalhão expedicionário de CEMA tem efeitos estratégicos e operacionais relevantes. Em primeiro plano, aumenta a capacidade de dissuasão e de projeção de poder não-letal do Exército norte-americano, ao permitir respostas mais rápidas e distribuídas em cenários onde a superioridade no espectro eletromagnético é decisiva. Para competidores como Rússia e China, bem como atores regionais com capacidades cibernéticas crescentes, isso traduz-se em maior complexidade para contestar a liberdade de ação americana em teatros avançados.

Por outro lado, a expansão operacional de unidades capazes de gerar efeitos cibernéticos e eletromagnéticos levanta questões de governança, legalidade e risco de escalada: o emprego tático de efeitos RF e cibernéticos, mesmo quando não-letais, pode ser percebido como hostil e provocar respostas simétricas ou assimétricas, inclusive em domínios cinéticos. A utilização de tais capacidades em apoio a operações domésticas (como evidenciado por missões junto ao Joint Task Force–Southern Border) também exige claridade jurídica e transparência para evitar tensões internas e críticas públicas.

Numa ótica de alianças, a padronização de batalhões expedicionários facilita interoperabilidade com forças conjuntas e parceiras, mas impõe a necessidade de coordenação doutrinária, exercícios conjuntos e acordos sobre normas de emprego no ciberespaço e espectro eletromagnético. Ademais, há implicações para controle de armamentos e regimes normativos: a proliferação de ferramentas e técnicas de CEMA pode pressionar debates internacionais sobre limites, sigilo tecnológico e mecanismos de prevenção de incidentes.

Recomenda-se que o processo de implementação priorize: 1) desenvolvimento de regras claras de emprego e supervisão legal; 2) integração com defesas cibernéticas e com inteligência para mitigar riscos de contraforças; 3) exercícios com aliados e parceiros para criação de padrões operacionais; e 4) investimento contínuo em capacidades de resiliência civil e militar. Com capacidade operacional inicial prevista dentro de um ano, as decisões sobre doutrina e controles durante esta janela serão determinantes para o impacto estratégico real dessa expansão.