Exército dos EUA conquista o mercado de drones: 33 países recebem novas oportunidades de defesa — O Exército dos Estados Unidos ampliou para 33 o número de países participantes de sua plataforma de aquisição de drones, em um movimento que busca acelerar o acesso de forças aliadas a equipamentos não tripulados e sistemas de combate a aeronaves não tripuladas. A iniciativa combina compras mais rápidas, avaliação de desempenho e cooperação internacional em um cenário no qual drones de baixo custo desafiam as defesas tradicionais.
Oito países ampliam a rede internacional de drones
Representantes de Canadá, Croácia, Egito, Japão, Kuwait, Marrocos, Albânia e Panamá assinaram, em 13 de outubro de 2026, uma declaração de intenção para integrar o Unmanned Aircraft Systems Marketplace, plataforma do Exército norte-americano voltada à aquisição de sistemas aéreos não tripulados, conhecidos pela sigla UAS. A cerimônia ocorreu durante a reunião anual da Association of the U.S. Army (AUSA), em Washington, D.C.
Com as novas adesões, a iniciativa passou a reunir 33 nações. O total foi informado pelo general reformado Robert Brown, presidente e CEO da AUSA. Lançado em março de 2026, o marketplace começou com nove países europeus signatários e, desde então, ampliou sua presença entre aliados e parceiros de diferentes regiões.
O objetivo é reduzir o tempo entre a identificação de uma necessidade operacional e a aquisição de equipamentos. Pela plataforma, militares podem consultar opções disponíveis, comparar dados de desempenho e fornecer avaliações de uso. A proposta é aproximar os operadores das empresas que desenvolvem os sistemas e diminuir etapas burocráticas da compra.
Segundo Brent Ingraham, secretário-assistente do Exército para aquisição, logística e tecnologia, a plataforma já processou US$ 800 milhões em transações. Ele também afirmou que o Exército concedeu, por meio do sistema, instrumentos contratuais de até US$ 7 bilhões para tecnologias contra drones. Esses valores indicam a escala financeira alcançada pela iniciativa, embora não representem necessariamente compras realizadas por cada um dos países participantes.
A plataforma funciona como um mecanismo de cooperação entre governos e busca criar uma via mais rápida para vendas militares estrangeiras. Os equipamentos disponíveis passam por análise prévia de cibersegurança e possibilidade de exportação, segundo Ingraham. O modelo pretende facilitar o acesso a tecnologias consideradas aptas para uso por forças norte-americanas e parceiras.
O Exército dos EUA também mantém um marketplace específico para sistemas contra drones, ou C-UAS, desenvolvido e operado pela Joint Interagency Task Force 401. Embora relacionados, os sistemas UAS e C-UAS cumprem funções distintas: os primeiros incluem aeronaves não tripuladas; os segundos reúnem tecnologias destinadas a detectar, acompanhar ou neutralizar essas ameaças.
Da aquisição militar à cooperação entre aliados
A expansão internacional do marketplace reflete uma mudança na forma como forças armadas procuram incorporar tecnologias não tripuladas. Em vez de depender exclusivamente de ciclos longos de aquisição centralizada, a plataforma tenta aproximar a demanda dos soldados da oferta comercial, com dados de desempenho e retorno dos operadores incorporados ao processo.
O lançamento, em março de 2026, com um grupo inicial de países europeus, estabeleceu a base para uma rede de compras e avaliação compartilhada. A entrada de nações da América do Norte, Europa, África, Ásia e Oriente Médio amplia a dimensão geográfica do programa. Isso não significa que todos os participantes tenham adquirido os mesmos equipamentos ou assumido compromissos idênticos: a adesão formal à iniciativa cria uma estrutura de acesso e cooperação, mas as decisões de compra continuam sujeitas às necessidades e aos procedimentos de cada governo.
A iniciativa também se insere em um debate mais amplo sobre a relação entre custo e eficácia na defesa aérea. Ingraham observou que drones relativamente baratos podem obrigar forças militares a recorrer a mísseis caros para interceptá-los. Essa assimetria pressiona os orçamentos e pode consumir munições de alto valor em resposta a ameaças de menor custo.
Por isso, autoridades norte-americanas defendem uma defesa em camadas, combinando sensores, sistemas de comando e controle, guerra eletrônica, interceptores e armas de energia dirigida. A estratégia pressupõe que diferentes tecnologias sejam integradas e ajustadas com rapidez, em vez de depender de uma única solução. “Não existe uma solução milagrosa”, resumiu Ingraham ao defender a colaboração entre parceiros.
Na cerimônia, o secretário interino do Exército, Adam Telle, apresentou o marketplace como uma forma de conectar diretamente soldados e desenvolvedores, reduzindo intermediários burocráticos. Ele também vinculou o programa à defesa de arquiteturas abertas — sistemas concebidos para facilitar integração e atualização — e afirmou que esse princípio deve avançar dos equipamentos táticos para o nível estratégico.

Legenda: Cerimônia de assinatura marca a adesão de novos países ao marketplace de drones do Exército dos EUA. | Créditos: Leandra Bernstein
Plataforma reforça influência e interoperabilidade dos EUA
Do ponto de vista geopolítico, a ampliação do marketplace fortalece a capacidade dos Estados Unidos de organizar uma rede internacional em torno de padrões, processos de aquisição e tecnologias de defesa não tripulada. Ao oferecer acesso a equipamentos previamente avaliados, Washington pode tornar mais simples a cooperação operacional entre parceiros e ampliar a compatibilidade de sistemas empregados por diferentes forças armadas.
Essa aproximação tem potencial para produzir efeitos que vão além das compras. A troca de dados de desempenho, avaliações de operadores e práticas de emprego pode favorecer o compartilhamento de conhecimento militar. A defesa contra drones depende não apenas dos equipamentos, mas também de integração entre sensores, comunicações, comando, treinamento e procedimentos. Nesse contexto, a plataforma pode funcionar como um canal para aproximar forças parceiras em torno de desafios comuns.
Há também uma dimensão industrial e estratégica. Um sistema de aquisição que facilita o acesso a produtos norte-americanos pode ampliar a presença de fornecedores dos Estados Unidos nos mercados aliados. Ao mesmo tempo, a análise de cibersegurança e exportabilidade cria filtros que ajudam a determinar quais equipamentos podem circular dentro dessa estrutura. O alcance comercial efetivo, porém, dependerá das escolhas nacionais, dos custos, das regras de exportação e da capacidade de cada país de integrar os sistemas às suas próprias forças.
A expansão para 33 nações não elimina diferenças entre os participantes nem garante uma resposta uniforme às ameaças aéreas não tripuladas. Países com recursos, prioridades e ambientes operacionais distintos podem optar por combinações diferentes de sensores, guerra eletrônica e interceptores. Ainda assim, a existência de uma plataforma comum pode reduzir barreiras para a cooperação e acelerar a identificação de soluções compatíveis.
O desafio central será equilibrar rapidez de aquisição, segurança tecnológica e adaptação às condições de cada país. A velocidade importa em um setor no qual os equipamentos e as ameaças evoluem rapidamente, mas a dependência de sistemas externos e a proteção de dados também são questões estratégicas. Para Washington, o marketplace representa uma tentativa de responder a essas pressões enquanto aprofunda a colaboração com aliados.
Com a adesão de Canadá, Croácia, Egito, Japão, Kuwait, Marrocos, Albânia e Panamá, o programa deixa de ser apenas uma iniciativa de alcance regional e consolida uma rede multinacional de aquisição e avaliação de drones. Seu impacto dependerá agora da capacidade de transformar a adesão formal em compras, integração operacional e cooperação duradoura — etapas que podem influenciar o equilíbrio tecnológico e a defesa aérea de parceiros dos Estados Unidos nos próximos anos.