EUA e Grécia firmam parceria estratégica para enfrentar ameaças à segurança global — Washington e Atenas anunciaram um novo mecanismo de cooperação contra o terrorismo, com compartilhamento de informações entre órgãos de segurança. O acordo, apresentado durante visita do secretário de Estado Marco Rubio à Grécia, reforça uma relação que combina defesa, segurança marítima e interesses estratégicos no Mediterrâneo.

Acordo amplia cooperação contra o terrorismo

O entendimento foi anunciado em Atenas, em 7 de outubro de 2026, por Rubio e pelo ministro das Relações Exteriores da Grécia, George Gerapetritis. Um memorando de entendimento estabelecerá um programa conjunto voltado a fortalecer o intercâmbio de informações sobre contraterrorismo entre as agências de segurança dos dois países.

Rubio descreveu a Grécia como uma aliada importante e afirmou que os dois governos pretendem responder a ameaças que consideram comuns. Entre os desafios citados pelo secretário estão o tráfico de pessoas e os riscos associados à migração em massa, temas que, segundo ele, expõem particularmente o território grego.

O anúncio ocorreu durante a sexta rodada do Diálogo Estratégico Estados Unidos–Grécia, iniciado em 2018. Em comunicado conjunto, os países manifestaram a intenção de aprofundar os laços de defesa, ampliar o comércio e os investimentos e promover intercâmbios culturais. O encontro também vinculou a agenda de segurança a uma cooperação bilateral mais abrangente.

Na área de defesa, a Grécia deverá receber US$ 4 bilhões para apoiar um plano de longo prazo destinado a ampliar a interoperabilidade entre as forças armadas dos dois países e avaliar futuras oportunidades de cooperação entre suas bases industriais de defesa. O anúncio reforça a dimensão militar da parceria, embora o comunicado não detalhe, no material divulgado, o cronograma nem os instrumentos específicos de execução do plano.

Uma aliança moldada pela posição estratégica grega

A aproximação entre Washington e Atenas se apoia em uma relação de segurança consolidada no âmbito da Otan. A Grécia é integrante da aliança desde 1952 e ocupa uma posição geográfica relevante entre os Bálcãs, o Mediterrâneo Oriental e o Oriente Médio. Essa localização confere importância às suas instalações militares e às rotas marítimas que atravessam a região.

Os vínculos de defesa também refletem a relevância das estruturas gregas para a presença norte-americana no Mediterrâneo Oriental. Para os Estados Unidos, a cooperação com um aliado situado nessa área pode contribuir para sustentar operações, ampliar a coordenação militar e acompanhar riscos que se estendem do entorno europeu ao Oriente Médio.

A dimensão marítima é outro componente central. A Grécia lidera uma missão naval da União Europeia destinada a proteger a navegação comercial no Mar Vermelho, uma rota vital para o transporte internacional. Gerapetritis afirmou ainda que Atenas estaria disposta a cooperar com os Estados Unidos e oferecer apoio marítimo no Estreito de Ormuz, caso exista um processo de paz viável na região. A declaração foi condicional e não representa, por si só, o anúncio de uma operação.

O encontro também ocorreu em meio a questionamentos políticos sobre a atuação da embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, Kimberly Guilfoyle. Senadores norte-americanos haviam manifestado preocupação com alegações de que ela teria ameaçado usar a influência de Washington para enfraquecer o governo grego. Questionado sobre a conduta da diplomata e as regras éticas do Departamento de Estado, Rubio defendeu o trabalho da embaixada e elogiou a atuação da embaixadora.

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Legenda: Marco Rubio se reúne com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, em Atenas, durante visita oficial. | Créditos: Mark Schiefelbein/Reuters

Reforço estratégico no Mediterrâneo e além

A parceria anunciada tem alcance que vai além do compartilhamento de informações. Ao conectar contraterrorismo, planejamento militar e segurança marítima, Estados Unidos e Grécia buscam coordenar respostas a desafios que atravessam fronteiras e afetam rotas comerciais, estabilidade regional e proteção de infraestruturas estratégicas.

Para Atenas, aprofundar a cooperação com Washington pode fortalecer sua capacidade de defesa e ampliar seu peso como aliado na Otan e na União Europeia. O plano de US$ 4 bilhões, associado à interoperabilidade e à possível cooperação industrial, sinaliza uma agenda de longo prazo. Seus efeitos dependerão, porém, dos detalhes de implementação, dos projetos selecionados e da continuidade do compromisso político dos dois governos.

Para os Estados Unidos, a Grécia oferece uma parceria situada em um corredor geopolítico sensível, próximo a áreas de tensão no Mediterrâneo Oriental e ao acesso a rotas que conectam Europa, África e Oriente Médio. O papel grego no Mar Vermelho e a disposição condicionada de discutir apoio no Estreito de Ormuz evidenciam como a dimensão marítima pode integrar a agenda bilateral, sem que isso implique uma decisão operacional imediata.

O acordo também expõe um desafio de equilíbrio: transformar compromissos diplomáticos em cooperação concreta sem ampliar tensões políticas ou regionais. O memorando de segurança e o diálogo estratégico estabelecem uma estrutura para avançar, mas o impacto dependerá da forma como as informações serão compartilhadas, dos mecanismos de coordenação adotados e da evolução das crises nas rotas marítimas próximas.

Com o anúncio, Washington e Atenas reafirmam uma aliança de importância estratégica para a segurança europeia e mediterrânea. A iniciativa combina medidas contra o terrorismo com planos de defesa e coordenação naval, consolidando a Grécia como um parceiro relevante dos Estados Unidos em um cenário marcado por riscos transnacionais e disputas por influência.