USS Klakring: O Desfecho Dramático de um Navio de Guerra no Atlântico em Exercício Conjunto EUA-Reino Unido — Uma fragata desativada da Marinha dos Estados Unidos foi afundada em 25 de setembro durante um exercício naval conjunto no Atlântico Norte. O episódio encerrou a trajetória do USS Klakring e serviu também como demonstração de capacidades de ataque e interoperabilidade entre forças americanas e britânicas.

Fragata afundada em exercício de fogo real

O USS Klakring, antigo navio de guerra da classe Oliver Hazard Perry, foi usado como alvo em um exercício de afundamento, conhecido pela sigla SINKEX. Segundo a Marinha dos EUA, o golpe final foi desferido pelo submarino USS Massachusetts, recém-incorporado à frota e pertencente à classe Virginia, que atingiu a fragata com um torpedo Mk 48 Advanced Capability.

A atividade integrou o Atlantic Thunder 2026, exercício liderado pela 6ª Frota dos Estados Unidos no Atlântico Norte. Participaram forças-tarefa navais americanas, a Marinha Real britânica e a Força Aérea dos EUA. Além do afundamento, a operação permitiu testar armamentos e coordenar ações entre unidades de diferentes forças e países.

Em declaração divulgada pela Marinha americana, o comandante da Força-Tarefa 65, capitão Kelechi Ndukwe, afirmou que o exercício demonstrou a capacidade de combate e a interoperabilidade entre os dois aliados. A atividade, segundo ele, também validou armamentos ofensivos e projetou uma mensagem de prontidão conjunta.

O USS Klakring estava fora de serviço havia mais de 13 anos. Descomissionado em 22 de março de 2013, permaneceu armazenado em Filadélfia, no estado da Pensilvânia, até ser empregado como alvo no exercício. Seu afundamento transforma uma antiga embarcação operacional em plataforma para treinamento com armas reais e avaliação de capacidades navais.

Da Guerra Irã-Iraque ao fim no Atlântico

Incorporado à Marinha dos Estados Unidos em 20 de agosto de 1983, o USS Klakring recebeu o nome em homenagem ao contra-almirante Thomas B. Klakring. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele comandou o submarino USS Guardfish e foi condecorado com três Cruzes da Marinha, uma das mais altas honrarias militares americanas por bravura em combate.

Na década de 1980, a fragata participou da Operação Earnest Will, missão de escolta de petroleiros do Kuwait durante a Guerra Irã-Iraque. A operação buscava proteger o tráfego marítimo contra ataques e garantir a circulação de embarcações em uma região essencial para o comércio de energia. Décadas depois, o navio terminou sua trajetória no Atlântico, não em combate, mas como parte de um exercício de treinamento aliado.

O uso de navios desativados em exercícios SINKEX permite às forças armadas praticar procedimentos de ataque e observar o desempenho de armamentos em condições reais. No caso do Klakring, o disparo final do USS Massachusetts colocou em evidência a participação de um submarino nuclear de ataque da classe Virginia, concebido para executar diferentes missões navais.

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Legenda: O USS Klakring, fragata desativada da classe Oliver Hazard Perry, foi afundado em exercício conjunto no Atlântico. | Créditos: Marinha dos Estados Unidos

Interoperabilidade e sinal estratégico no Atlântico

O principal significado geopolítico do Atlantic Thunder 2026 está na demonstração prática de coordenação entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Em um ambiente marítimo de importância estratégica para a circulação de forças e para as conexões entre a América do Norte e a Europa, exercícios desse tipo ajudam os aliados a testar comunicações, procedimentos e integração de armamentos.

O afundamento do Klakring foi apenas uma parte de uma programação mais ampla. Durante o exercício, o destróier americano USS Paul Ignatius demonstrou a capacidade de emprego antissuperfície de uma variante do míssil Standard Missile 6 (SM-6). A Marinha Real britânica, por sua vez, utilizou os mísseis antinavio Naval Strike Missile e Sea Venom, conforme informações divulgadas sobre a atividade.

O exercício ocorreu poucos dias depois de a Marinha Real ter realizado o lançamento bem-sucedido de um torpedo pesado Mk 48, de fabricação americana, a partir de um veículo submarino não tripulado britânico, o Excalibur. A sequência de atividades aponta para uma agenda de cooperação que abrange tanto armamentos convencionais quanto sistemas não tripulados, área que ganha importância no planejamento naval contemporâneo.

Para Washington e Londres, a integração entre plataformas tripuladas e não tripuladas pode ampliar as opções de vigilância, treinamento e emprego operacional. O teste do Excalibur não equivale, por si só, à incorporação de uma nova capacidade em escala de frota, mas demonstra um passo na exploração de tecnologias que os dois países poderão desenvolver em conjunto.

Ao reunir forças-tarefa americanas, unidades britânicas, aeronaves e meios navais, o Atlantic Thunder reforçou a capacidade dos aliados de operar em conjunto no Atlântico Norte. O afundamento do USS Klakring deu ao exercício uma dimensão visível e concreta: além de marcar o fim de uma embarcação com passado ligado à proteção do tráfego marítimo no Golfo, permitiu às forças participantes treinar o emprego coordenado de armamentos em condições controladas.

A operação também evidencia a continuidade da parceria militar entre os dois países, mas deve ser entendida dentro de seus limites: trata-se de um exercício, não de uma operação de combate. Seu valor estratégico reside na preparação, na familiarização com sistemas aliados e na sinalização pública de que Estados Unidos e Reino Unido buscam manter forças capazes de atuar de forma coordenada no espaço marítimo atlântico.