Nova Aliança Marítima: Nova Zelândia e Austrália Intensificam Cooperação Naval em Momento Crucial para a Segurança da Região — Nova Zelândia e Austrália formalizaram um novo passo para aproximar suas forças navais, com a assinatura do Plano Tasman, em Canberra. O acordo estabelece diretrizes para ampliar o diálogo e a integração entre as marinhas dos dois países, enquanto ambos enfrentam decisões importantes sobre a renovação de suas frotas e buscam fortalecer sua atuação no Indo-Pacífico.
Pacto estabelece uma agenda permanente de integração naval
Assinado neste mês pela Marinha Real da Nova Zelândia (RNZN) e pela Marinha Real Australiana (RAN), o Plano Tasman define a estrutura estratégica para orientar a relação entre as duas forças. Segundo um porta-voz das Forças de Defesa da Nova Zelândia, o documento organiza o diálogo bilateral, estabelece como objetivo ampliar a integração institucional e operacional e indica as áreas prioritárias de cooperação.
Entre as novidades está a criação de um diálogo estratégico anual entre as marinhas, conduzido pelos vice-comandantes das duas forças. A iniciativa contará também com grupos de trabalho voltados a diferentes tarefas de cooperação, criando um canal regular para discutir prioridades e aproximar procedimentos.
O pacto sucede o Quadro Naval de Tasman, firmado em novembro de 2024, e dá continuidade ao compromisso dos dois países de estreitar suas relações de defesa. O objetivo declarado é avançar para uma cooperação naval mais integrada, em apoio à segurança regional no Indo-Pacífico.
O alcance do acordo deve ser entendido como estratégico e institucional: ele oferece orientação para a relação entre as marinhas, mas as informações divulgadas não o descrevem como um tratado de defesa mútua nem como a criação imediata de uma força naval conjunta. Sua relevância está em estabelecer mecanismos permanentes para coordenar iniciativas e aprofundar a colaboração entre os vizinhos.
Uma relação marcada por proximidade e capacidades diferentes
A cooperação ocorre entre forças com dimensões bastante distintas. Criada em 1901, a Marinha Real Australiana tem cerca de 16 mil marinheiros e oito bases. A força neozelandesa conta com aproximadamente um oitavo desse efetivo e opera a partir de uma única base, Devonport, em Auckland. Mulheres representam cerca de 25% do pessoal nas duas marinhas.
Apesar da diferença de escala, os países compartilham equipamentos e desafios de modernização. Sete fragatas da classe Anzac servem à Austrália, enquanto outras duas integram a frota neozelandesa. Com 387 pés de comprimento, essas embarcações — assim como a maior parte da frota da Nova Zelândia — devem chegar ao fim de sua vida útil em meados da década de 2030.
A renovação naval já está em curso, embora em ritmos e com decisões diferentes. Em abril de 2026, a Austrália assinou um contrato para adquirir 11 fragatas da classe Mogami. A Nova Zelândia ainda avalia se adotará o projeto japonês ou a fragata britânica Type 31, modelo também encomendado pela Indonésia e pela Polônia. A escolha poderá influenciar a futura compatibilidade entre as frotas, mas o acordo não determina qual opção Wellington deverá selecionar.
Outros programas também apontam para a transformação das capacidades neozelandesas. Em agosto de 2025, o país encomendou cinco helicópteros MH-60R Seahawk para substituir os Kaman Seasprite, em serviço desde 2001. A incorporação de novos meios ocorre em paralelo à discussão sobre como manter a prontidão naval diante do envelhecimento de embarcações importantes.

Legenda: Fragata da Marinha Real da Nova Zelândia na Baía das Ilhas, em fevereiro de 2023. | Créditos: Fiona Goodall/Getty Images
Indo-Pacífico no centro da aproximação estratégica
O Plano Tasman amplia a estrutura de coordenação entre dois países cuja proximidade geográfica favorece a cooperação marítima. O diálogo anual e os grupos de trabalho podem ajudar a transformar compromissos políticos em rotinas de planejamento e colaboração. A implementação, porém, dependerá das prioridades de cada governo, dos recursos disponíveis e da capacidade de compatibilizar estruturas navais de portes diferentes.
O momento é particularmente relevante porque a modernização das frotas pode abrir oportunidades para aproximar sistemas, treinamento e procedimentos. Ao mesmo tempo, as escolhas de aquisição permanecem nacionais: a Austrália já contratou as fragatas Mogami, enquanto a Nova Zelândia ainda compara essa alternativa com a Type 31. Portanto, a integração prevista pelo pacto não elimina divergências nem substitui decisões soberanas de defesa.
A iniciativa também se insere em uma política mais ampla de fortalecimento das relações regionais da Nova Zelândia. Em dezembro de 2025, Wellington assinou acordos de defesa com o Japão; navios japoneses visitaram o país no ano passado, e uma fragata Mogami esteve em Wellington em maio de 2026. Dois meses depois, Nova Zelândia e Índia firmaram um acordo de cooperação em defesa e anunciaram o compromisso de ampliar a colaboração em segurança marítima, após elevar o nível de suas relações diplomáticas.
Esses movimentos indicam que Wellington procura diversificar e aprofundar suas parcerias de defesa no Indo-Pacífico, enquanto mantém a proximidade com a Austrália como eixo central de sua cooperação naval. Para Canberra, o Plano Tasman formaliza uma via de trabalho com um parceiro regional próximo. Para ambos, o desafio será converter o novo mecanismo de diálogo em capacidades coordenadas e duradouras, sem perder de vista as diferenças de escala, os calendários de renovação e as prioridades nacionais.