Exércitos do Futuro: Exército dos EUA Escolhe 5 Empresas para Revolucionar o Desenvolvimento do PrSM — A decisão do Exército dos Estados Unidos de colocar cinco empresas na disputa pelo desenvolvimento da próxima etapa do míssil de ataque de precisão PrSM sinaliza uma aposta em maior alcance e flexibilidade operacional. Os protótipos deverão ser avaliados em uma competição que se estenderá até o ano fiscal de 2028, enquanto o programa ganha relevância estratégica em meio ao debate sobre o emprego de armas de longo alcance e seus efeitos em conflitos recentes.
Competição abre nova etapa do PrSM
O Exército dos Estados Unidos firmou acordos com Anduril, Castelion, Lockheed Martin, Mach Industries e RTX para desenvolver protótipos do Precision Strike Missile (PrSM) Increment 4. O anúncio foi feito pelo Redstone Arsenal em 30 de setembro de 2026, após a assinatura de acordos conhecida na terça-feira.
O objetivo é avançar capacidades de ataque a longas distâncias. De acordo com as informações divulgadas pelo Exército, os mísseis em desenvolvimento deverão ser lançados a partir do sistema de foguetes de artilharia de alta mobilidade M142 HIMARS e ter capacidade para atingir alvos terrestres e marítimos em movimento a mais de 621 milhas — cerca de mil quilômetros.
A escolha das cinco empresas não representa a definição de um fornecedor final. O processo prevê uma fase competitiva: os trabalhos de desenvolvimento no ano fiscal de 2027 devem culminar em uma avaliação de voo e em uma redução do número de concorrentes. No ano fiscal de 2028, está prevista uma nova rodada de testes; empresas com projetos considerados eficazes poderão receber acordos adicionais.
O modelo permite que o Exército compare soluções antes de decidir quais seguirão adiante. Em vez de apostar desde o início em um único desenho, a competição mantém diferentes propostas em avaliação e associa a continuidade do programa ao desempenho demonstrado nos testes. As informações divulgadas não detalham os projetos apresentados por cada companhia nem antecipam qual delas tem vantagem.
O novo esforço ocorre cerca de uma semana após a concessão de um contrato de US$ 1,2 bilhão à Lockheed Martin para a produção de mísseis PrSM Increment 2. Segundo a empresa, o acordo abrange a produção inicial e pedidos futuros dessa versão. O contrato de produção do Increment 2 e os acordos para protótipos do Increment 4 são etapas distintas do programa, e não indicam que a Lockheed Martin tenha sido escolhida para desenvolver a próxima versão.
Da produção inicial à próxima geração
A arquitetura por incrementos ajuda a compreender o momento atual do programa. Enquanto o Increment 2 avança para a produção inicial, o Increment 4 ainda está em fase de desenvolvimento competitivo. Essa simultaneidade sugere uma estratégia de continuidade: manter uma versão em produção e, ao mesmo tempo, testar capacidades que possam ampliar o desempenho futuro do sistema.
O PrSM é um míssil de precisão concebido para operar com lançadores como o HIMARS. Na configuração prevista para o Increment 4, a capacidade de engajar alvos em movimento no mar e em terra acrescenta um desafio técnico e operacional: não basta alcançar grandes distâncias; o sistema também precisa localizar e acompanhar alvos cuja posição pode mudar durante a missão. A notícia não apresenta parâmetros de desempenho além do alcance previsto e dos tipos de alvo mencionados.
A competição também tem uma dimensão industrial. Cinco empresas foram convocadas a desenvolver protótipos, mas os testes e as decisões futuras determinarão quais projetos continuarão. Para o Exército, o processo pode ampliar a comparação entre alternativas antes de comprometer recursos com uma solução específica. Para as companhias, os acordos abrem uma oportunidade de disputar etapas posteriores, sem garantia de contrato de produção.
A experiência recente de emprego do míssil torna o debate sobre o programa ainda mais relevante. Segundo a notícia, forças militares dos Estados Unidos utilizaram um PrSM da Lockheed Martin pela primeira vez em combate contra alvos iranianos. A ocorrência acrescenta uma dimensão operacional ao desenvolvimento, mas não substitui a necessidade de avaliar a eficácia, as limitações e os riscos do armamento de forma independente.
Há também uma controvérsia grave relacionada a um ataque em Lamerd, no Irã. Especialistas citados pela imprensa consideram que um míssil PrSM, descrito em relatos como capaz de dispersar pequenos projéteis, pode ter causado a morte de dezenas de civis em 28 de fevereiro. O Comando Central dos Estados Unidos negou essa interpretação. Com as informações disponíveis, a atribuição permanece contestada e não deve ser tratada como fato confirmado.
Legenda: Visitantes passam por um painel da Lockheed Martin sobre o míssil de ataque de precisão PrSM durante uma conferência em Washington, em 2024. | Créditos: Colin Demarest/C4ISRNET
Alcance, dissuasão e riscos estratégicos
Do ponto de vista geopolítico, um míssil com alcance previsto próximo de mil quilômetros e capacidade de atingir alvos terrestres e marítimos em movimento pode ampliar as opções de ataque de longo alcance dos Estados Unidos. A integração com o HIMARS também associa a nova capacidade a uma plataforma móvel de artilharia já identificada como lançador do programa. O efeito estratégico dependerá, contudo, dos resultados dos testes, da quantidade de sistemas produzidos e da forma como forem empregados.
Para potenciais adversários, o desenvolvimento pode reforçar a percepção de que instalações e forças consideradas importantes estarão sujeitas a ameaças a distâncias maiores. Isso pode influenciar cálculos de dissuasão e planejamento militar. Ao mesmo tempo, a existência de um programa em desenvolvimento não significa que todas as capacidades previstas já estejam disponíveis: o Increment 4 ainda terá de demonstrar seu desempenho nas avaliações programadas.
A competição entre cinco empresas também é relevante para a base industrial de defesa norte-americana. A disputa pode oferecer ao Exército opções técnicas e comerciais antes de uma decisão de longo prazo. Mas o cronograma — com avaliações em 2027 e uma etapa final prevista para 2028 — mostra que a transição de protótipos para capacidades operacionais exige tempo, validação e novas decisões de aquisição.
O possível emprego do PrSM em um episódio com vítimas civis amplia a importância de questões que vão além do alcance e da precisão declarados. A identificação correta dos alvos, a avaliação dos efeitos da munição e a transparência sobre incidentes são elementos centrais para o debate sobre o uso de armamentos de longo alcance. No caso de Lamerd, as versões divergentes entre especialistas citados e o Comando Central deixam claro que a atribuição e as circunstâncias ainda são objeto de contestação.
Assim, a escolha de Anduril, Castelion, Lockheed Martin, Mach Industries e RTX marca o início de uma nova fase competitiva, não a conclusão do programa. O resultado dos testes determinará quais propostas poderão avançar e se o Increment 4 cumprirá a ambição de combinar alcance ampliado, mobilidade e capacidade de atingir alvos em movimento. Até lá, o PrSM permanecerá simultaneamente um projeto de modernização militar, uma disputa industrial e um tema de atenção geopolítica por seus possíveis efeitos no campo de batalha.