Introdução
A empresa Entre Investimentos e Participações, citada em repasses ligados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, teria enviado R$ 139 milhões a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com o PCC e a máfia italiana. As informações foram publicadas com base em relatório do Coaf, órgão de inteligência financeira ligado ao Banco Central.
Créditos da imagem: Reprodução, via Metro1
O que o Coaf apontou sobre os repasses
Segundo as reportagens publicadas nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, as movimentações teriam ocorrido entre julho de 2022 e dezembro de 2025. O relatório do Coaf aponta que a Entre Investimentos e Participações realizou transferências para empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, fraudes no setor de combustíveis e vínculos com organizações criminosas.
Parte dos recursos teria ido para quatro empresas alvo da Operação Carbono Oculto, investigação da PF sobre um suposto esquema de adulteração de combustíveis com possível ligação ao Primeiro Comando da Capital. Outro trecho do relatório menciona repasses para uma empresa de pagamentos de São Paulo investigada na Operação Mafiusi, que apura lavagem de dinheiro envolvendo o PCC e a organização criminosa italiana Ndrangheta no Porto de Paranaguá.
O Coaf também teria feito alerta de suspeição sobre as movimentações da Entre, apontando que a empresa poderia funcionar como “conta de passagem”, expressão usada para contas que recebem e enviam valores de forma incompatível com a atividade econômica declarada.
Ligação com Dark Horse e Banco Master
A Entre Investimentos ganhou destaque após reportagem do Intercept Brasil revelar que a empresa teria sido usada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para enviar recursos ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos. O fundo aparece ligado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo as apurações, um comprovante indicaria transferência de US$ 2 milhões para financiar a produção. O caso ganhou repercussão nacional depois que Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com Vorcaro cobrando pagamentos relacionados ao filme, embora tenha negado irregularidades e afirmado que se tratava de dinheiro privado.
A Folha de S.Paulo também informou que a empresa usada para repassar dinheiro ao filme é dona de fundos ligados à rede do Banco Master. Já outros veículos apontaram que estruturas associadas ao banco teriam movimentado valores ainda maiores com empresas do grupo Entre, ampliando o alcance político e financeiro do caso.
Conclusão
O novo capítulo do caso Vorcaro aumenta a pressão sobre as conexões entre Banco Master, Entre Investimentos e o financiamento de Dark Horse. A suspeita de repasses milionários para empresas investigadas por lavagem de dinheiro, PCC e máfia italiana torna o episódio mais grave e deve manter o tema em alta nos próximos dias.
Ao mesmo tempo, é importante destacar que os dados citados vêm de relatórios e apurações jornalísticas sobre investigações em andamento. A Entre informou, segundo a reportagem publicada pela Tribuna do Sertão com base no jornal O Globo, que realiza suas operações em conformidade com as normas do setor financeiro e que permanece à disposição das autoridades competentes.