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Aliados superam os EUA em poder de compra do orçamento militar, revela novo relatório

Redação
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maio 13, 2026

Uma análise recente — baseada em dados do SIPRI e compilada pela Economist — mostra que, em 2025, os aliados dos Estados Unidos superaram o país em termos de poder de compra ajustado dos orçamentos militares, sinalizando uma mudança significativa na distribuição global de capacidade militar e reforçando tendências de rearmamento europeu e fortalecimento das alianças no Indo-Pacífico.

Resumo Executivo: Aliados Ultrapassam os EUA em Poder de Compra do Orçamento Militar em 2025

Em 2025, os 31 membros não estadunidenses da OTAN somados aos aliados do Pacífico (Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Austrália e Filipinas) despenderam o equivalente a 111% do poder de compra do orçamento militar dos EUA, segundo a síntese publicada pela Economist com dados do SIPRI. Em valores ajustados por paridade de poder de compra (PPP), o total aliado ultrapassou a barreira de US$ 1 trilhão pela primeira vez, enquanto o orçamento do Pentágono apresentou uma queda interanual de 7,5% no mesmo período. Apesar dessa virada no indicador PPP, os Estados Unidos continuam sendo a maior potência absoluta em gastos militares e representam mais de 20% do gasto militar global; a China vem em segundo lugar com cerca de 12,7%.

O fenômeno é impulsionado por um aumento sustentado nas despesas de defesa da Europa e por incrementos relevantes no Indo-Pacífico, refletindo resposta direta a ameaças percebidas e ao ambiente de insegurança estratégico. Vale notar que, isoladamente, os aliados europeus e o Canadá ainda representam cerca de 81% do orçamento militar americano em termos comparáveis, indicando que o excedente agregado depende da contribuição conjuntural dos parceiros asiáticos.

Antecedentes e Evolução: Rearmamento Europeu e Reconfiguração das Prioridades Estratégicas

O aumento recente nos orçamentos aliados tem raízes em processos que remontam à virada do século. Após o fim da Guerra Fria, houve décadas em que o poderio militar norte-americano dominou em termos absolutos e muitos aliados reduziram gastos. A emergência de novas ameaças — especialmente a agressão russa contra a Ucrânia a partir de 2014 e sua escalada em 2022 — reativou uma dinâmica de rearmamento europeu sem precedentes nas últimas décadas. A exigência de maior capacidade convencional, modernização de forças e investimentos em defesa aérea, logística e ciberdefesa pressionaram os orçamentos nacionais.

No Indo-Pacífico, a ascensão da China, a persistente ameaça norte-coreana e as disputas marítimas estimularam Japão, Coreia do Sul e Austrália a expandirem programas de aquisição e P&D. A metodologia do SIPRI, ao ajustar por PPP, reflete como diferenças de preços e poder aquisitivo convertem desembolsos financeiros em capacidade efetiva de compra de bens e serviços militares — explicando por que o agregado aliado pode superar os EUA no indicador de poder de compra, mesmo quando permanece inferior em termos nominais.

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Legenda: Boeing C-17 decola na base americana de Ramstein, Alemanha, ilustrando a articulação logística e de projeção de poder entre aliados europeus e os EUA | Créditos: Boris Roessler/picture alliance via Getty Images

Impacto Geopolítico: Repercussões para Defesa, Indústria e Estratégia Aliada

O deslocamento do indicador de poder de compra em favor dos aliados tem implicações multilaterais. Politicamente, reforça o argumento de maior compartilhamento de encargos — reduzindo, em tese, a pressão exclusiva sobre os EUA para sustentarem presença global contínua. Militarmente, sugere uma capacidade coletiva ampliada de dissuasão regional, em especial na Europa contra a Rússia e no Indo-Pacífico contra contingências de maior escala.

No campo industrial, crescentes orçamentos aliados podem acelerar a consolidação e competitividade das bases industriais de defesa europeia e asiática, impulsionando projetos conjuntos, cadeias de suprimento locais e maior autonomia estratégica — ao mesmo tempo em que ampliam a competição por contratos e tecnologias entre fornecedores locais e empresas americanas. Esse realinhamento exigirá novos mecanismos de coordenação para evitar duplicação, garantir interoperabilidade e otimizar compras conjuntas.

Riscos importantes acompanham essas dinâmicas: aumento do fluxo de armamentos pode alimentar corridas regionais de armamento, tensionar economias menores com gastos insustentáveis e introduzir pressões inflacionárias nos mercados de defesa. Por outro lado, há oportunidades para reforçar alianças por meio de cooperação em P&D, padronização, estoques interoperáveis e regimes de decisão coordenada para exportação e transferência de tecnologia.

Para os formuladores de política, as prioridades imediatas incluem: (1) consolidar mecanismos de coordenação orçamentária e planejamento de capacidade entre aliados; (2) fomentar programas multinacionais de aquisições e P&D que aumentem escala e reduzam custos; (3) equilibrar investimentos entre aquisição de sistemas de curto prazo e modernização de longo prazo; e (4) manter a presença e garantias estratégicas norte-americanas enquanto se ajusta o modelo de liderança para uma arquitetura de segurança mais compartilhada.