Generais da Guarda Nacional dos EUA alertam para um déficit estrutural de aviões de combate que, se não for corrigido com aquisições sustentadas, reduzirá a capacidade de dissuasão e aumentará o risco operacional do país por uma década ou mais.
Síntese da Situação Atual
Vinte e dois adjuntos‑generais da Air National Guard enviaram a Congress um apelo unificado por financiamento multianual capaz de sustentar entre 72 e 100 caças novos por ano, propondo um baseline anual de 48 F‑35A e 24 F‑15EX, com objetivo final de 72/36 (108 aeronaves/ano). O pedido vem em resposta a ciclos de aquisição inferiores ao mínimo definido pela Força Aérea — a solicitação fiscal de 2027 soma 62 caças, dez a menos que o limiar apontado como necessário para impedir a redução da frota — e a um parque envelhecido, com aeronaves de 40 anos sendo mantidas em operação por programas de manutenção improvisada e canibalização de peças. Mesmo com 100 aeronaves por ano, a recapitalização total da força demandaria 10–15 anos devido ao passivo acumulado.
Antecedentes e Linha do Tempo
Desde o fim da Guerra Fria houve sucessivos ciclos de redução e adiamento na modernização, com picos de aquisição interrompidos pelo redirecionamento de recursos. O último ano em que a USAF adquiriu mais de 72 caças foi 1998; nas décadas seguintes a prioridade orçamentária variou entre conflitos expedicionários, custos de programas e limitações da base industrial. Relatórios recentes do Departamento da Força Aérea (2025) e a análise do National Guard Association identificaram os 24 esquadrões de caça da ANG como essenciais ao objetivo de 1.369 aeronaves combat‑coded exigidas pela estratégia de defesa de 2026, mas 13 desses esquadrões carecem de plano de recapitalização adequado. Ao mesmo tempo, a indústria ampliou entregas — incluindo um recorde de entregas de F‑35 quando o backlog de variantes de treino foi reduzido —, mas a escala e previsibilidade de demanda ainda são insuficientes para eliminar gargalos sem contratos multianuais e planejamento de longo prazo.
Legenda: F‑35A da Vermont Air National Guard pousa em Hinterstoisser AB, Áustria, junho de 2023 | Créditos: Master Sgt. Ryan Campbell/Air National Guard
Consequências Geopolíticas e Orientações Estratégicas
A insuficiência de aquisições e o envelhecimento da frota têm efeitos diretos sobre a capacidade dos EUA de manter dissuasão credível em teatros concorrentes — especialmente no Indo‑Pacífico e na Europa — ao reduzir capacidade de projeção, disponibilidade de surtidas e capacidade de sustentação logística em conflitos de alta intensidade. Uma Força Aérea "mais velha e menor" diminui a margem de manobra política e militar frente a Rússia e China, incentiva adversários a testar limites e pressiona aliados a suprir lacunas, aumentando assim riscos de dependência e descoordenação. No plano industrial, contratos multianuais e metas claras de produção são essenciais para estabilizar fornecedores, reduzir custos unitários e acelerar entrega; caso contrário, a oscilação de demanda aumentará preços e atrasos.
Recomenda‑se que formuladores americanos: (1) aprovem financiamento multianual alinhado ao mínimo de 72 caças/ano para segurar capacidade de linha de frente; (2) sincronizem investimentos em aeronaves com programas de manutenção, treinamento de pilotos e retenção de pessoal de manutenção para restaurar horas‑voo operacionais; (3) priorizem resiliência da cadeia de suprimentos e expansão controlada da base industrial; e (4) coordenem modernização com aliados para maximizar interoperabilidade e dissuasão coletiva. Sem essas ações, o risco estratégico aumentará nos próximos cinco a quinze anos, com custos operacionais e políticos crescentes.